Se você comprou ou está prestes a comprar uma lancha, um barco ou um jet ski, o TIE é um dos primeiros documentos que vai aparecer no seu caminho. Ele é obrigatório para a maioria das embarcações de recreio no Brasil, é exigido em financiamento e seguro, e sem ele a transferência de propriedade não se completa. Neste guia, você vai entender o que é o TIE, quem precisa tirar, quanto custa, quais documentos levar e como funciona a versão digital que a Marinha adotou nos últimos anos.
TIE é a sigla de Título de Inscrição de Embarcação. É o documento que registra a embarcação no SISGEMB (Sistema de Gerenciamento de Embarcações) da Marinha do Brasil, funcionando como uma espécie de identidade da embarcação perante a autoridade marítima — parecido, guardadas as diferenças, com o que o CRLV representa para um carro. É esse documento que comprova que a embarcação está regularizada, identifica o proprietário e traz os dados técnicos básicos (nome, número de inscrição, dimensões, capacidade).
Durante anos, a Marinha usou dois documentos separados: o TIE, para embarcações em geral, e o TIEM (Título de Inscrição de Embarcação Miúda), para embarcações menores. Isso mudou com a Portaria DPC/DGN/MB nº 69, publicada em março de 2023: os dois modelos foram consolidados em um único documento digital, chamado simplesmente de Título de Inscrição de Embarcação (TIE), aplicável a todas as embarcações com Arqueação Bruta (AB) igual ou menor que 100. Na prática, se você está pesquisando hoje, não precisa se preocupar em distinguir TIE de TIEM — é a mesma inscrição, no mesmo formulário digital.
Precisam de inscrição as embarcações brasileiras de esporte e/ou recreio com comprimento menor que 24 metros e Arqueação Bruta igual ou menor que 100 — ou seja, a grande maioria das lanchas, barcos, veleiros e jet skis vendidos no dia a dia, incluindo os anunciados aqui no WebBarcos.
A norma da Marinha lista algumas exceções que não precisam de TIE: dispositivos flutuantes sem propulsão destinados a reboque, com até 10 metros; embarcações a remo com até 12 metros, incluindo canoas havaianas e skiffs; embarcações miúdas sem propulsão a motor com até 6 metros; e embarcações miúdas cuja propulsão principal seja remo ou vela, com motor de apoio de até 5 HP. Fora desses casos específicos, a regra geral é: tem motor e mede menos de 24 metros, precisa de TIE.
Vale uma observação à parte: embarcações com 24 metros ou mais de comprimento, ou Arqueação Bruta acima de 100 (o universo dos iates de maior porte), não passam pelo TIE — elas seguem para o Registro de Propriedade Marítima (RPM), feito no Tribunal Marítimo, um processo diferente e mais complexo. Se você está no mercado de lanchas e barcos de até 24 metros, é o TIE que interessa.
Desde 6 de março de 2023, o TIE em papel verde (aquele modelo físico que a maioria dos proprietários mais antigos conhece) deu lugar ao TIE Digital. Com apoio do Serpro, o documento passou a ser emitido e entregue digitalmente, com autenticidade verificada por um QR Code criptografado chamado “VIO” — o mesmo padrão usado em outros documentos digitais do governo federal. Assim que o TIE fica pronto, o proprietário recebe um aviso por SMS e e-mail, e o documento passa a ficar disponível no aplicativo e no site gov.br, podendo ser baixado em PDF e impresso em papel comum (A4), sem precisar de papel especial.
Duas coisas valem observar antes de fazer tudo pelo celular: pessoa física precisa ter conta gov.br em nível Prata ou Ouro para acessar o documento (o nível Bronze não é suficiente), e pessoa jurídica precisa informar um e-mail já no momento do atendimento. E se for imprimir o TIE Digital para levar a bordo, mantenha o QR Code no tamanho original (5×5 cm) — reduzir demais pode impedir a leitura pelo aplicativo de verificação.
A lista pode variar um pouco conforme o tipo e o porte da embarcação (as normas de referência são a NORMAM-201, NORMAM-202 e NORMAM-211, dependendo do caso), mas os itens abaixo aparecem na inscrição de qualquer embarcação de recreio:
Ao comprar uma embarcação usada, vale conferir com o vendedor se ele tem a nota fiscal ou documento de compra original e o TIE anterior em mãos — a falta desses papéis costuma ser o maior motivo de atraso na hora de transferir a inscrição para o seu nome.
O custo oficial da inscrição é uma taxa de R$ 30,00, recolhida por meio de GRU (Guia de Recolhimento da União) — um valor simbólico perto do restante do custo de manter uma embarcação (veja nosso guia sobre quanto custa manter uma lancha por ano). O TIE tem validade de 5 anos e precisa ser renovado depois desse prazo — não é um documento vitalício.
Sobre o prazo de emissão, o próprio portal gov.br indica uma janela de 31 a 60 dias entre o pedido e a entrega do documento, mas esse número serve como referência geral: pode variar conforme a Capitania dos Portos, Delegacia ou Agência responsável pela sua região, a época do ano e o volume de pedidos em andamento. Se você está prestes a fechar a compra de uma embarcação e precisa do TIE em mãos para navegar, financiar ou segurar, o mais seguro é iniciar o processo com bastante antecedência em vez de contar com o prazo mínimo.
Uma embarcação sem TIE válido está irregular perante a Marinha do Brasil, o que compromete praticamente tudo que depende desse cadastro: o DPEM (seguro obrigatório contra acidentes pessoais, que também exige o TIE em dia — veja nosso guia sobre seguro de lancha), o financiamento bancário (veja como funciona o financiamento de lancha), e a própria venda ou transferência da embarcação para um novo proprietário. Por isso, se o TIE da sua embarcação está perto de completar 5 anos, vale iniciar a renovação com antecedência, sem esperar o vencimento chegar.
Se você está pesquisando como comprar uma lancha usada, o TIE é um dos primeiros documentos que deve pedir ao vendedor, junto com a nota fiscal/documento de compra. Uma embarcação sem TIE em nome do vendedor atual, ou com o documento vencido, é sinal de alerta — pode indicar desde uma simples renovação pendente até um histórico mais complicado de propriedade. Peça sempre para ver o TIE Digital direto no app gov.br do vendedor, não apenas uma cópia impressa, já que o QR Code “VIO” é o que garante que o documento é autêntico e está atualizado. Isso também entra na conta na hora de avaliar quanto vale a embarcação — veja nosso guia sobre quanto vale minha lancha.
Do lado de quem está comprando pela primeira vez, o TIE é só uma das etapas — vale complementar a leitura com o nosso guia completo para comprar sua primeira lancha.
Não. Desde a Portaria DPC/DGN/MB nº 69, de março de 2023, os dois foram unificados em um único documento digital, chamado apenas de TIE, válido para embarcações com Arqueação Bruta igual ou menor que 100.
Na prática, sim — jet skis são embarcações motorizadas e se enquadram na regra geral (comprimento menor que 24 metros e AB até 100). As dispensas da Marinha são para casos bem específicos, como embarcações a remo/vela com motor de apoio de até 5 HP, o que não é o caso de um jet ski comum.
A taxa oficial é R$ 30,00, paga por meio de GRU (Guia de Recolhimento da União).
5 anos a partir da emissão. Depois disso, é preciso solicitar a renovação — o procedimento é parecido com o da primeira inscrição.
Nas Capitanias dos Portos, Delegacias ou Agências da Marinha do Brasil responsáveis pela sua região, presencialmente para entrega da documentação (algumas unidades oferecem agendamento eletrônico), com o documento final emitido e disponibilizado no TIE Digital, pelo aplicativo gov.br.
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