Seguro de Lancha: Como Funciona, o Que Cobre e Quanto Custa
Seguro de Lancha: Como Funciona, o Que Cobre e Quanto Custa

Seguro de Lancha: Como Funciona, o Que Cobre e Quanto Custa

02/09/2026
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Quem compra uma lancha, um veleiro ou um jet ski costuma colocar toda a atenção em preço, motor e localização — e deixa o seguro para “resolver depois”. Só que existem, na prática, dois seguros diferentes envolvidos na posse de uma embarcação: um obrigatório por lei, e outro opcional, que protege o valor do próprio bem. Este guia explica a diferença entre os dois, o que cada um cobre, quanto costuma custar e o que perguntar antes de fechar com uma seguradora.

O que é o seguro de lancha (e por que ele é diferente do DPEM)

É comum encontrar os dois termos misturados, mas eles resolvem problemas diferentes. De um lado está o DPEM, um seguro obrigatório de responsabilidade por danos pessoais, exigido pela Marinha do Brasil para regularizar qualquer embarcação. Do outro está o seguro de casco (às vezes chamado de seguro náutico ou seguro de embarcação), que é opcional e protege o patrimônio — a lancha, o motor e os equipamentos — contra roubo, avarias e perda total. Ter o DPEM em dia não significa, de forma nenhuma, que a embarcação está segurada contra um sinistro que danifique o casco ou o motor.

DPEM: o seguro obrigatório que toda embarcação precisa ter

O DPEM (Danos Pessoais Causados por Embarcações ou por sua Carga) existe desde 1991 e funciona como o equivalente náutico do DPVAT dos carros. A Marinha do Brasil exige o comprovante de DPEM válido tanto para o registro inicial da embarcação quanto para a renovação anual da documentação (o TIE) — navegar sem ele é uma infração sujeita a multa e apreensão da embarcação.

O que o DPEM cobre (e o que não cobre)

O DPEM cobre exclusivamente danos pessoais causados por acidentes envolvendo a embarcação ou sua carga: indenizações por morte, invalidez permanente e despesas médico-hospitalares de tripulantes, passageiros ou terceiros atingidos. Ele não cobre:

  • danos ao casco ou ao motor da própria embarcação;
  • roubo ou perda da embarcação e de seus equipamentos;
  • danos materiais causados a bens de terceiros;
  • custos de salvamento ou reboque.

Ou seja: o DPEM protege pessoas, não patrimônio. Para o patrimônio, existe o seguro de casco, explicado a seguir.

Quanto custa o DPEM em 2026

O prêmio anual do DPEM costuma variar entre aproximadamente R$ 22 e R$ 177, dependendo da classe da embarcação, mais o IOF (0,38%) — um valor baixo justamente porque a cobertura é limitada a danos pessoais, com indenizações fixas por sinistro. A contratação é feita através de uma corretora ou seguradora autorizada, informando os dados de registro da embarcação; o comprovante (apólice/bilhete) tem validade de um ano e precisa ser renovado junto com a documentação.

Seguro voluntário de casco: a proteção que cuida do patrimônio

Diferente do DPEM, o seguro de casco não é exigido por lei — é uma decisão do proprietário, mas costuma ser exigido por bancos e financeiras em operações de financiamento de lancha, e também por algumas marinas como condição para conceder vaga. Ele protege o valor investido na embarcação em si.

O que costuma ser coberto

A cobertura básica da maioria das apólices de casco inclui, dentro do limite de navegação contratado (normalmente o litoral brasileiro):

  • roubo e furto qualificado;
  • perda total e naufrágio;
  • queda de raio, incêndio e explosão;
  • colisão e abalroação (choque contra outra embarcação ou objeto).

Coberturas opcionais mais comuns

Além da cobertura básica, a maioria das seguradoras oferece itens opcionais que podem ser incluídos conforme o perfil de uso da embarcação:

  • responsabilidade civil facultativa do proprietário (danos causados a terceiros, indo além do que o DPEM cobre);
  • remoção de destroços;
  • transporte terrestre da embarcação (carreta, guincho);
  • roubo/furto de equipamentos avulsos (motor de popa, itens de bordo);
  • participação em regatas;
  • extensão do limite de navegação (América do Sul, América Central ou mundial, para quem pretende viajar mais longe).

Quanto custa o seguro de uma lancha

Diferentes fontes do setor de seguros náuticos apontam faixas ligeiramente distintas, o que é normal em um mercado sem tabela pública única — mas todas convergem para a mesma ordem de grandeza: o prêmio anual do seguro de casco costuma ficar entre 0,5% e 2% do valor da embarcação, podendo ser menor em casos específicos ou ultrapassar esse teto em embarcações de maior risco (mais antigas, com histórico de sinistro, ou usadas em atividade comercial). Na prática, isso significa que uma lancha de R$ 150.000, por exemplo, pode ter um prêmio anual estimado entre R$ 750 e R$ 3.000 — sempre uma estimativa de mercado, nunca uma cotação: o valor exato só sai de uma simulação real com a seguradora, considerando o perfil específico da embarcação e do proprietário.

Fatores que influenciam o preço

  • tipo de embarcação (lancha, veleiro, jet ski, iate);
  • valor de mercado da embarcação;
  • material do casco (fibra, alumínio, madeira);
  • comprimento e ano de construção;
  • tipo de propulsão e potência do motor;
  • local de guarda (marina com segurança, garagem própria, via pública);
  • área de navegação pretendida;
  • histórico de sinistros do proprietário, de forma parecida com a análise feita para seguro de carro.

O que normalmente fica de fora do seguro (exclusões comuns)

Cada apólice tem sua própria lista de exclusões — por isso vale sempre ler as condições gerais antes de assinar —, mas algumas ficam de fora na maioria dos contratos de seguro náutico:

  • danos causados por guerra ou atos terroristas;
  • eventos climáticos extremos não previstos na apólice (é comum haver um limite de navegação sazonal em áreas de risco);
  • uso da embarcação em atividade ilícita;
  • multas administrativas;
  • abandono da embarcação sem tripulação em condição de risco.

Documentos e informações pedidos para contratar

O processo de cotação costuma pedir:

  • documento da embarcação (TIE) e documento do proprietário;
  • dados técnicos: tipo, tamanho, ano, motor e uso pretendido (lazer, comercial, pesca);
  • local onde a embarcação fica guardada e onde costuma navegar;
  • histórico de sinistros anteriores, se houver.

Vale a pena contratar? O que perguntar antes de fechar

Para uma embarcação financiada, a resposta já vem pronta: o próprio contrato de financiamento costuma exigir o seguro de casco como garantia (ver nosso guia de financiamento de lancha). Para quem comprou à vista, vale pesar o valor investido contra o custo relativamente baixo do prêmio anual. Antes de assinar, algumas perguntas ajudam a comparar propostas:

  • Qual é exatamente a área de navegação coberta pela apólice?
  • Existe franquia em caso de sinistro? De quanto?
  • O motor de popa está incluso na cobertura de casco ou precisa ser declarado/segurado separadamente?
  • Qual o prazo médio de resposta e pagamento em caso de sinistro?
  • A corretora ou seguradora é especializada em seguros náuticos, ou atende o segmento como uma linha secundária?

Perguntas frequentes

O seguro de lancha é obrigatório?

Não. Só o DPEM é obrigatório por lei para regularizar a embarcação junto à Marinha. O seguro de casco, que protege o valor da embarcação em si, é opcional — exceto quando o próprio contrato de financiamento ou a marina exigem.

Posso navegar só com o DPEM, sem seguro de casco?

Sim, do ponto de vista legal — o DPEM já regulariza a embarcação para navegar. Mas isso significa que, em caso de roubo, incêndio, colisão ou perda total, o prejuízo do casco e do motor fica inteiramente por conta do proprietário.

O seguro cobre o motor de popa?

Depende da apólice. Em muitas seguradoras, o motor de popa (por ser removível) precisa ser declarado separadamente ou contratado como item adicional — vale confirmar isso especificamente na cotação, em vez de assumir que já está incluso.

Financiamento de lancha exige seguro?

Normalmente sim — bancos e financeiras costumam exigir o seguro de casco como garantia enquanto durar o contrato, de forma parecida com o financiamento de veículos. Veja mais detalhes no nosso guia de financiamento de lancha.

O que fazer em caso de sinistro?

Avisar a seguradora ou corretora o quanto antes, documentar os danos com fotos, e seguir as orientações do sinistro (perícia, boletim de ocorrência quando aplicável). Quanto antes o aviso for feito, menor o risco de discussão sobre a cobertura.

Continue pesquisando antes de decidir

Antes de contratar um seguro, vale ter clareza sobre o próprio valor da embarcação — leia também quanto vale minha lancha — e, se a embarcação ainda vai ser comprada, os guias de como comprar uma lancha usada e como comprar sua primeira lancha ajudam a entender outros custos envolvidos. Quem também vai precisar de habilitação para pilotar deve conferir o guia de Motonauta, e quem já pensa em onde guardar a embarcação pode ver o nosso guia de marinas em São Paulo.

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